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MSX: o Legado de uma Revolução Tecnológica

Capa da revista 3º CPU MSX

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Em junho de 1983, a japonesa ASCII Corporation, de Kazuhiko Nishi, anunciou com a Microsoft um padrão de microcomputador que prometia algo raro na época: um mesmo programa rodando em máquinas de fabricantes diferentes. Era o MSX. Quarenta anos depois, ele segue lembrado como uma das plataformas que formaram uma geração de programadores, inclusive no Brasil, e é também parte da história de quem fundou a ATS.

Gradiente Expert XP-800, microcomputador MSX fabricado no Brasil a partir de 1985
Gradiente Expert XP-800, um dos dois MSX fabricados no Brasil.

O que era o padrão MSX

O MSX definia uma arquitetura comum que qualquer fabricante podia licenciar: processador Zilog Z80A a 3,58 MHz, chip de vídeo Texas Instruments TMS9918 com 16 KB de VRAM, som pelo General Instrument AY-3-8910, MSX BASIC em ROM e, com unidade de disquete, o sistema MSX-DOS. Com isso, cartuchos, fitas e periféricos de uma marca funcionavam nas outras.

O padrão evoluiu para o MSX2 (1985) e, no Japão, para o MSX2+ (1988) e o MSX turbo R (1990). As estimativas de vendas variam: o próprio Nishi fala em 3 milhões de unidades no Japão e 1 milhão no exterior, enquanto outras fontes citam números maiores. A plataforma foi forte no Japão, na Holanda, na Espanha, no Brasil, na União Soviética e em países árabes, e recebeu jogos de estúdios como Konami e Hudson Soft. Os dois primeiros Metal Gear nasceram no MSX.

O MSX no Brasil: Hotbit e Expert

O Brasil teve duas linhas de MSX nacionais, lançadas com uma semana de diferença no fim de 1985. O Hotbit HB-8000, da Epcom (Sharp), chegou em novembro e foi produzido até 1988. O Expert XP-800, da Gradiente, foi apresentado na feira Informática ’85, em São Paulo, e chegou às lojas em dezembro. Depois vieram versões como o Expert Plus e o DD Plus, com drive de disquete. A Gradiente encerrou a linha em 1990 sem lançar um MSX2 próprio, e muitos usuários passaram a atualizar suas máquinas com kits de terceiros.

Uma correção em relação à versão anterior deste post: o TK 2000, da Microdigital (1984), não era um MSX. Ele usava o processador MOS 6502 e era parcialmente compatível com o Apple II, sendo um clone do Microprofessor II da Multitech.

A revista CPU MSX e os primeiros artigos do Guilherme

Com a base de usuários crescendo, surgiram revistas especializadas. A CPU MSX, da editora Águia Informática, publicava listagens de programas, tutoriais e projetos enviados por leitores e colaboradores, e era assim que muita gente aprendia a programar: digitando o código da revista, linha por linha.

Guilherme A. Lima da Silva, hoje CEO da ATS, publicou seus primeiros artigos na CPU MSX entre 1988 e 1989, ainda estudante, e depois apareceu como colaborador em edições seguintes da revista. Os programas eram escritos em MSX BASIC e Assembly Z80 e cobriam temas variados:

  • Função do 1º Grau: representação gráfica de funções lineares, para visualizar o efeito dos coeficientes.
  • Jogo da Memória: um jogo para exercitar lógica e memória.
  • O Mundo Perdido da III Dimensão: uma aventura de narrativa interativa, no estilo dos jogos de texto da época.
  • Fogo! Fogo!: um jogo em que o jogador faz o papel de bombeiro.
  • Alfabetos do Graphos III: guia para redefinir caracteres e criar alfabetos próprios no MSX.
  • Letras Ampliadas: programa para imprimir textos com letras maiores.
Página de abertura do primeiro artigo de Guilherme A. Lima da Silva na revista CPU MSX, sobre função do primeiro grau
Abertura do primeiro artigo do Guilherme na revista CPU MSX, “Função do 1º Grau”.

Os artigos originais podem ser lidos em PDF, clicando no título:

Artigo Edição Páginas Ano
Função do 1º Grau 3 24–25 1988
Jogo da Memória 4 30 1988
O Mundo Perdido da III Dimensão 5 44–48 1988
Fogo! Fogo! 6 42–44 1989
Alfabetos do Graphos III: aplicações práticas 7 28–32 1989
Letras Ampliadas 8 20–22 1989

O legado do MSX hoje

O MSX continua vivo. Emuladores como o openMSX mantêm os programas da época rodando em computadores atuais, a comunidade segue criando jogos e hardware novos, e a MSX Licensing Corporation, ligada a Nishi, tem apresentado novos projetos com a marca, como o MSX0, anunciado em 2023 para aplicações de IoT.

Para a ATS, essa história tem um sentido prático. A lógica aprendida ao escrever programas em BASIC e Assembly, com memória e processamento escassos, é a mesma que hoje orienta o desenvolvimento de códigos de simulação em CFD: entender a física, escrever o algoritmo e validar o resultado.

Referências

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